sexta-feira, 23 de março de 2018

O EXAME DE SEXAGEM FETAL E O SEXO DO BEBÊ



Minha irmã do meio e minha sobrinha mais velha resolveram pagar para eu fazer o exame de sexagem fetal.

Poderia fazer a partir da 8ª semana de gestação, mas demorei alguns dias para fazer porque estava muito calor e eu não me sentia bem.

Também porque, desconfiei que estava grávida de um menino e como minha família sempre gostou mais de meninas, achei que ficariam desapontados, então resisti intimamente em ir fazer.

Mas ao dizer isso para minha mãe e minhas irmãs elas me garantiram o óbvio: independente de quem Deus mandasse, ficariam felizes da mesma forma.

Fui dia 03/11/2017 com minha irmã do meio no bairro de Tatuapé em Sp de trem. Eu moro numa cidade próxima.

Fiz o exame de sangue simples e mandaram aguardar 1 semana e pegar o resultado pela internet.
Eu já havia lido na internet (sou viciada em blogs de maternidade) que, dependendo do sexo do bebê, o resultado sairia mais cedo.

Não sei se é verdade, mas resolvi que dia 7/11/2017 eu iria olhar no site pra ver se tinha resultado.

No dia 7 eu estava deitada no sofá com o notebook e meu Digníssimo no quarto usando o computador. O chamei e disse para olharmos juntos o site pra ver se já tinha saído o resultado da sexagem.

Ele resolver filmar com o celular a nossa reação.

E O RESULTADO FOI ESSE:




É UM MENINO!!! Começamos a gritar de alegria!

Estávamos em dúvida sobre o nome, mas na hora meu esposo concluiu: É o Lorenzo que está aqui, Preta...

E assim foi: LORENZO ARTHUR vem aí!

Chamamos todos do grupo da família ao mesmo tempo no whatsapp e anunciamos que era o Lorenzo.

Todos ficaram felizes, até quem jurava que eu estava a espera de uma menina.
Que surpresa boa.

Confesso que fiquei feliz, mas naquela noite eu não consegui dormir, pensando que eu não saberia ser mãe de um menino.
Mas depois pude concluir que na verdade eu não ser ser mãe de ninguém, porque nunca fui.
Eu vou aprender a ser mãe e ele vai aprender a ser filho. E assim a paz entrou em meu coração.


PARA NÃO ESQUECER:

Na véspera do anúncio oficial, levei meu filho do coração ao McDonalds para tomar um sorvete e contar sobre a gravidez para ele.
Temi que ele ficasse enciumado e achasse que eu não ia mais amá-lo, o que nunca iria acontecer, é claro.
Enquanto tomávamos sorvete eu disse:
-Filho, a mãe quer te contar uma novidade. Estou grávida! Você vai ter um irmãozinho que vai se chamar Lorenzo, mas você sempre será meu filho mais velho do coração. Nunca vou deixar de amar você e tomara que o Lorenzo seja um menino legal igual a você.
Ele tinha 8 anos neste dia, quando arregalou os olhos e me disse:

Um menino, mãe! É um menino!! Que legal!!

Depois a mãe dele me disse que ele afirmou que entendeu porque ela tinha acabado de ganhar uma menina: É que Deus já havia planejado dar um irmão para ele da minha barriga!
é ou não é a coisa mais linda!

O ANÚNCIO DA GRAVIDEZ


Resolvemos comprar uma lembrancinha para algumas pessoas para anunciar a gravidez. Era um sapatinho e um cartão.

Comprei para minha mãe e minhas 2 irmãs, aproveitando a oportunidade de que me encontraria com minha irmã mais velha naquele dia.

Essa minha irmã é mãe dos meus sobrinhos, e é avó, mas nunca havia sido tia. Ela sempre disse que era um sonho pra ela.

No meu aniversário de 2017 essa minha irmã me fez prometer que se eu ficasse grávida contaria logo para ela... Eu já estava grávida e não sabia.

Comprei a lembrancinha, escrevi os cartões e cheguei na casa da minha mãe.

No meio da conversa eu disse que tinha comprado um presentinho para elas.

Ficaram animadas, mas nem desconfiaram.

Entreguei para minha mãe e minha irmã mais velha ao mesmo tempo. Estava embrulhado de uma forma que não dava para ver o sapatinho, somente o cartão.

Minha irmã pegou o cartão, leu e ficou uns 5 segundos pensando. Depois olhou para mim e começou a chorar e soluçar.

Fiquei surpresa com a reação dela e quanto mais ela me abraçava, mais chorava. 

Aí minha mãe terminou de ler e veio me abraçar também, depois abraçaram meu marido.

Foi emocionante!

Logo minha outra irmã chegou e entreguei o pacotinho dela: Ela começou a gritar: NÃO ACREDITO! e começou a chorar também.
Mais tarde meu cunhado chegou e ao ver a surpresa, ficou muito empolgado.

Foi um dia muito feliz! Inesquecível.

Poucas pessoas ficaram sabendo que eu estava grávida. Marcamos o anúncio oficial para 18/11/2017, mas antes de colocar na internet, contamos para algumas pessoas importantes que ainda não estavam sabendo e fizemos uma sessão de foto caseira para postar na internet.

Na véspera do anúncio contei para minha sogra, meu sogro, meus cunhados e cunhadas e também para meu filho do coração. Todo mundo ficou feliz.

Minha sogra chorou muito e me surpreendi, porque ela já tem outros 5 netos. Mas ela me disse que cada neto é como se fosse o primeiro. Fiquei muito feliz.

Quando anunciei na rede social, foi um estouro! Muitos parabéns e muita comemoração.

Ah, já ia me esquecendo, antes de anunciar a gravidez, eu fiz o exame de sexagem fetal, para contar a novidade e o sexo do bebê junto...


PARA NÃO ESQUECER:

- Contaram para minha sobrinha-neta (que é muito apegada comigo) que eu estava grávida. Eu a chamo de Querida.
Ela tinha 2 anos e 10 meses na época e é inteligente demais. Me disseram que ela ficou um pouco revoltada, rs.
Passados alguns dias, me encontrei com ela na casa da minha mãe.
A Querida me olhou e já disse:"Querida, eu já falei lá em casa: eu não vou amar o seu bebê!"
Fiquei com tanta dó dela que falei: "Você não precisa amar meu bebê não, Querida... Mas eu vou te amar do mesmo jeito".
Ela ficou sem ação e me abraçou...
Depois de uns minutos ela me disse: "Querida eu vou amar o bebê sim".
E desde então é um grude comigo. Me manda mensagens e quando me vê fica alisando minha barriga, conversando com o bebê e dizendo que vai cuidar e amar... 
Coisa linda de se ver!

O PRIMEIRO ULTRASSOM



Quando apareceu a primeira imagem borrada na tela eu perguntei para médica:

- Doutora, tem alguém aí???

E ela respondeu: Tem sim, olha só, tem um bebezinho aqui.

Então eu repliquei, rsrs:

-E está no lugar certo???

E ela disse: Tem um bebê só e está bonitinho no lugar certo. Daqui a pouco vamos tentar ouvir o coração, mas se a gravidez estiver muito no começo não conseguiremos ouvir.

A médica pediu para prender a respiração e não deu tempo de me preparar: comecei a ouvir a batida forte do coração do bebê. 
Ele era do tamanho de um feijão, mas preenchia meu coração inteiro.

Ela ainda disse que ia ser do signo de gêmeos e que pessoas desse signo era pessoas boas. Não acredito nisso, mas falei que ia nascer perto do aniversário do meu marido e que estávamos muito felizes.

Saímos de lá extasiados. Parecia que tínhamos ganhado na loteria e que não podíamos contar para ninguém (só que sem a parte do dinheiro, rs)...

Meu Digníssimo repetia o tempo todo: Tem um feijãozinho, Preta... Eu vou ser pai!

E no caminho para casa decidimos contar a novidade para nossos parentes mais chegados. Para os demais, contaríamos somente com 3 meses de gestação.

E planejamos uma surpresinha para o anúncio.

PARA NÃO ESQUECER:
DUM: 18/08/2017

Em 17/10/2017: 
Saco gestacional: 28 x 21 x 19mm, com diâmetro médio de 22,67mm
Embrião presente
Frequência cardíaca: 132 bpm
CCN: 10mm
Gestação de aprox. 7 semanas e 1 dia

Para ouvir e meditar:

O INÍCIO DA GRAVIDEZ




Descobrimos a gravidez e eu continuei passando muito mal.

Decidimos guardar segredo, pelo menos até a confirmação médica, porque tive medo de contar para as pessoas e depois ser um falso positivo ou algo assim.

O problema é que estava difícil de disfarçar meus sintomas. 
Antes de fazer o teste, minha mãe e depois meu sobrinho adolescente (que é muito meu amigo) me perguntaram se eu estava grávida por me verem passando mal com ânsia o dia todo.

Mas resolvi me resguardar o quanto conseguisse e marquei uma consulta com o ginecologista/obstetra do convênio.

Dia 17/10/2017 fui à consulta médica juntamente com meu Digníssimo que sempre me acompanha e logo o médico fez os cálculos dizendo que, se eu estivesse mesmo grávida, ganharia o bebê no início do mês de junho de 2018.

Foi um pouco assustador, rs.

Peguei a guia para o ultrassom transvaginal e, embora o convênio médico não cobrisse o exame, fui em uma clínica particular e consegui vaga para fazê-lo naquele mesmo dia, no período da tarde.

Enquanto não dava a hora, fomos procurar uma casa para alugar, pois estávamos há bastante tempo planejando isso.

Depois do almoço e de olhar algumas casas, fomos fazer o ultrassom. 

Na sala de espera eu disse para o Digníssimo tudo o que podia dar errado no exame, tipo gravidez tubária, não ouvir o coração do bebê e coisas assim.

Para que ele se preparasse e não se desesperasse.

Entrei na sala com medo, especialmente da médica, pois tenho conhecido muitos médicos estúpidos e ignorantes e estava muito sensível para lidar com isso.

Como podes perceber, eu tenho a tendência de sempre me preparar para o pior, porque se acontecerem coisas boas, saio no lucro.

Mas não sou pessimista, muito pelo contrário. Sempre creio que vai dar certo, mas tenho um "plano b" caso não dê. Acho que é sintoma de ansiedade.

Ao conhecer a médica fui surpreendida, pois ela era gentil e amorosa. Me fez as perguntas de praxe e trocou olhares com a auxiliar quando eu disse que era a primeira gravidez.

Logo eu pensei: é que ela pensa que se eu não estiver grávida de verdade o clima ficará pesado.

Meu Digníssimo foi acomodado em uma poltrona em frente a TV e começamos o exame.


Para ouvir e meditar:

O TESTE DE GRAVIDEZ




Após passar mal durante 3 dias, resolvi fazer um teste de gravidez.

Eu já havia feito alguns durante esses quase 9 anos de casada, especialmente após o início das profecias sobre gravidez.

Mas confesso que fazia esperando o resultado negativo e a sensação era de grande alívio quando eu constatava que se tratava apenas de um atraso comum.

Mas dessa vez o temor era maior. Comprei 2 testes de gravidez para fazer ao fim do dia com meu Digníssimo.

Ele demorou a chegar em casa e, como eu estava sozinha, passando mal e ociosa, resolvi fazer um e deixar outro para fazer quando ele chegasse.

Meu marido havia me dito que quando eu ficasse grávida, ele gostaria de estar presente na hora do teste. No início do casamento eu planejava fazer uma surpresa quando descobrisse, para quando ele chegasse do trabalho.

Acontece que como ele esteve muito doente, ficou afastado do serviço, então achei muito difícil fazer surpresa com a pessoa a ser surpreendida dentro de casa.

Com o tempo, ele me disse que, se eu fizesse um teste de gravidez, ele queria estar junto e assim foi.

Como eu disse anteriormente, eu sentia dor forte nos seios,  tontura, ânsia de vômito e dor de estômago 24 horas por dia (cogitei TPM forte). E fazia xixi de 2 em 2 horas (cogitei infecção na urina). 

Estava aérea e com falta de concentração por não dormir direito, pois era só pegar no sono que tinha que ir ao banheiro.

Fiz o teste de gravidez, meio zonza de sono, passando muito mal e o resultado foi....


NEGATIVO!


Joguei o teste no lixo e senti uma sensação de alívio com desapontamento que nem sei explicar.

Algumas horas depois meu Digníssimo esposo chegou e logo o chamei para fazer o outro teste de gravidez "para acabar logo com isso",  já tinha visto que não estava grávida.

Fiz xixi no palitinho e entreguei para ele. Ele pegou o teste e saiu rindo, pulando e tirando foto.

Vale ressaltar que meu marido é a pessoa mais engraçada e tiradora de sarro que eu conheço. De tudo ele faz brincadeira.

Quando ele começou a fotografar o palitinho e pular, eu pensei que estava me zoando, rs.

Comecei a falar para parar de brincadeira, que eu sabia que era negativo.

Então ele veio até mim e disse a frase icônica:

-Eu não sei o que fazer porque eu nunca fui pai, Eu tô muito feliz!

E os olhos verdes dele (cor de mato) brilhavam.

E quando ele me mostrou o teste eu entrei em choque:

POSITIVO!

Nesta hora olhei o teste que eu havia jogado no lixo do banheiro e que tinha feito horas antes, pensando que tinha acontecido algum problema no teste e pude constatar que tinha dado POSITIVO também.

O problema é que eu estava passando mal e não vi direito.

A sensação foi inédita e inesquecível. Me deu um medo tão grande, um choque e uma alegria ao mesmo tempo que não consigo descrever.

Sensação de que minha vida iria mudar para sempre.

Meu marido me abraçou e assim ficamos naquele banheiro, extasiados com o que estava por vir.
Era 13/10/2017 e nunca vamos nos esquecer. 

ESTAMOS GRÁVIDOS. 



Ouça a primeira música que ouvi com o bebê (me lembra meu casamento e nosso primeiro "filhotinho" que está por vir):



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

NOVA PROFECIA E EXPECTATIVAS



Após ficar muito tempo afastada dos trabalhos da igreja por causa dos ataques de pânico, fui melhorando e voltando a participar.

Teve um evento beneficente com crianças em uma congregação nova e eu fui para dar um apoio.

Foi maravilhoso e mais de 150 crianças carentes foram presenteadas e abençoadas naquele dia. E nós também.

No fim do evento fomos limpar a igreja e a rua. No meio da limpeza veio uma irmã de outra cidade que ajudou com as crianças se despedir.

Ela me disse: o Senhor ouviu sua oração e em 40 dias vai trazer a resposta para você.

Eu disse: eu creio e vou marcar no calendário!

O problema é que na véspera eu tinha feito uma oração. Daquelas que você conta sua vida e enumera 100% dos problemas.

Falei com Deus sobre todos os meus planos que estavam parados, sobre o curso online que meu esposo não conseguia terminar de gravar (ele também é professor), sobre problemas familiares, recomeçar a carreira e ter filhos.

Parece que se eu desse andamento em um projeto, inutilizaria o outro. Parecia não ter saída.

Mas certa vez Deus me disse: Quanto te fecharem as portas, te mostro saída.
E terminei a oração sabendo que Deus faria algo por mim, mesmo sem saber o que.

Marquei no calendário e contei os 40 dias. Terminavam em 10 de outubro de 2017, dois dias após meu aniversário.

Quando a data chegou, fiquei na expectativa desde de manhã e várias coisas foram se resolvendo durante o dia: problemas familiares, o curso do meu esposo foi finalizado, entre outras coisas.

E eu ficava pensando: será que é isso que Deus falou?

Mas tive um problema: passei o dia 10/10/2017 inteiro passando mal, com tontura e sensação de pressão baixa.

Após 3 dias sem apresentar melhora, resolvi fazer um teste de gravidez e tirar logo esta dúvida da mente e do coração.

Então comprei 2 testes de gravidez e fui ver o que Deus tinha para mim.

PARA OUVIR E MEDITAR: MÚSICA: NOVIDADE

CRISES DE ANSIEDADE, ATAQUES DE PÂNICO e TRANSTORNO PÓS TRAUMÁTICO



Após muitas emoções no primeiro semestre de 2017, percebi que algo estava estranho comigo.

Por causa da enfermidade que acometeu meu Digníssimo, fiquei muito tempo em casa com ele. Saí do emprego (porque escolhi cuidar dele -e não me arrependo), dispensei outros trabalhos para não deixá-lo sozinho (já que ele tentava sair da cadeira de rodas sozinho, caía e não podia levantar-se) e ia para igreja somente esporadicamente, quando algum familiar se disponibilizava para ficar em casa com ele.

Nesta época a igreja vinha até minha casa e era lindo. Algumas vezes o Digníssimo queria ir à igreja e vários irmãos se disponibilizavam para levá-lo com cadeira e tudo, nem que fosse para assistir metade do culto, já que ele não aguentava ficar muito tempo sentado.

E isso ia nos fortalecendo. Sou muito grata a Deus e à meus irmãos que nos ajudaram a servir a Deus.

Acontece que no meio de 2017 eu percebi que não conseguia mais cantar na igreja, falar em público e atender clientes eventuais.

Me dava um desespero, um pânico, parecia que eu ia morrer, dores físicas e o coração disparava. Em poucos dias eu não conseguia mais passar do portão de casa!

Na verdade as crises começaram antes. Quando meu pai ficou doente e gritava de dor, eu ficava assim, mas logo passava. Entretanto, agora era diferente.

Eu já não dormia, não podia ver ninguém e só de pensar que alguém poderia vir me visitar eu passava mal e ficava assim por horas seguidas. Não conseguia ver mensagem do whatsapp também pois me dava ataque de pânico de ouvir o celular apitar, mesmo sem saber do que se tratava.

Meu esposo me ajudava, ouvindo meus anseios (que eram sempre os mesmos), meus medos e atendendo as pessoas pessoalmente e na web por mim.

Com muito receio, resolvi procurar ajuda médica, mas por vergonha, não contei a ninguém. Mais uma vez estávamos meu esposo e eu em uma guerra secreta.

Fui ao médico e recebi o diagnóstico: Ansiedade, síndrome do pânico e transtorno pós traumático. Tratamento: Remédios e consultas com o psicólogo.

Comprei remédios caríssimos e não poderia parar de tomá-los durante 1 ano, para evitar recaídas. Comecei a conversar com a psicóloga, mas fiquei com a memória tão ruim que tinha que escrever todos os ataques de pânico, o motivo e os fatos da semana, porque eu esquecia tudo.

Tomei os remédios 2 semanas e fiquei muito assustada. Eu não conseguia completar minhas frases e parecia que eu estava perdendo o controle da minha mente. 

Me desesperei, porque eu tinha acabado de ganhar um curso que sempre foi meu sonho e eu não conseguia ler uma linha da apostila sem vomitar de "nervoso".

Resolvi fazer um teste e ler biografias, porque a leitura é mais fácil de gravar e fiquei de contar para a psicóloga o que tinha lido na próxima consulta.

Sempre amei ler e leio livros com muito prazer desde os meus 6 anos de idade.

Lembro que li 4 biografias naquela semana. Com muita atenção, entusiasmo e amando a história daquelas pessoas.
Quando cheguei na consulta, 4 dias depois do último livro, eu não sabia quais eram os títulos dos livros e não me lembrava de 90% das histórias daquelas pessoas (famosas!)

Minha mente apagava tudo. Fiquei arrasada.

Resolvi parar com os remédios e parei de ir nas consultas com a psicóloga (que eu gostei muito), porque eu não conseguia mais sair de casa para ir até lá. Parei de estudar porque não conseguia ler ou lembrar do que tinha lido.

Decisão arriscada.

Em poucos dias tive uma enorme piora e achei que ia morrer. Meu esposo passava as noites comigo na sala em desespero e quando ele cochilava eu o acordava porque parecia que eu ia morrer.

Meses difíceis eu passei. Nós passamos. Deus, meu esposo e eu.
Todos notavam que eu estava ausente e estranha, mas ninguém sabia o que era.

E em meio a esse sofrimento, meus Pastores vieram nos visitar e trazer a santa ceia em casa para nós, já que não tínhamos ido ao culto.

Eu pensei em contar meu caso e pedir ajuda a eles durante o dia todo e conversei sobre isso com meu esposo que me apoiou -como sempre, mas decidi não falar nada, por vergonha e medo de ser julgada... Besteira minha.

Mas quando eles chegaram com aquele "pacote de amor", fiquei tão constrangida que disse que precisava conversar. 

Sabe aquele amor que nos constrange? Meus pastores demonstram.

Meu esposo ficou com olhos brilhantes, crente que algo iria mudar.

E realmente mudou.

Esperei julgamento, chorei sem querer  e eles choraram comigo. 

Contei cada detalhe e eles me apoiaram em tudo.

Me deram conselhos práticos que nem médicos ou psicólogos conseguiram me passar.

Conselhos de como "brecar" os ataques de pânico, especialmente de madrugada.

Em poucos dias, eu fui melhorando. Se antes eu tinha uns 15 ataques de pânico por dia, passei a ter uns 3.

Mas ainda não conseguia sair de casa.

Dias após isso, recebi uma visita de 2 amigos/irmãos que oraram por mim. Minha amiga me disse que já tinha passado por isso e me contou como ela venceu.

Eu disse que ia vencer também e que eu queria muito voltar a cantar.

Crise de ansiedade a ataque de pânico são coisas muito difíceis. Dá medo de parecer louca e dá medo de estar ficando louca.
Estamos acostumados com doenças que saem em exames e que remédios controlam, mas quando me deparei com essa enfermidade na alma, eu não soube lidar.

Não queria acreditar que estava doente. Fiquei com medo de acharem que era espiritual. Fiquei com vergonha de demonstrar fraqueza e preocupar as pessoas. Tentei me esconder...

Depois que eu aceitei que era uma doença que desenvolvi devido à grande pressão e dificuldades dos anos anteriores e que precisava de ajuda (médica, espiritual, dos amigos, etc.) comecei a melhorar.

Resolvi enfrentar meus medos e ir à igreja depois de uns 2 meses sem aparecer. 
Queria enfrentar o pânico de estar no meio de muitas pessoas.

Ao chegar no portão de casa fiquei em pânico... passei mal e não conseguia passar do portão.
Minha irmã teve paciência e esperou eu melhorar. 

Fui em desespero e me chamaram para cantar no grupo. Não costumo perder oportunidades então fui lá na frente, infiltrada no meio do povo.

Não consegui olhar para frente, encarar as pessoas. Tive várias crises e tremedeira, especialmente ao fim do culto quando vieram me cumprimentar.

Mas aguentei firme, pois ninguém sabia da minha situação, somente os pastores e 3 amigas.

No dia seguinte eu decidi ir novamente ao culto, pois o trauma do dia anterior havia sido tão grande, que se eu não fosse, acho que nunca mais conseguiria ir.

Fui e foi um pouco melhor.

E assim estou vencendo dia após dia.

Ainda fico com um pouco de ansiedade às vezes, mas em 90% do tempo estou bem, graças ao bom Deus.

E assim vou retomando minha vida, meus projetos e meus sonhos.

Ah... e eu voltei a cantar!!!


PARA OUVIR E MEDITAR: MÚSICA: Canta que eu cuido